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Viola Portuguesa

A Viola Portuguesa

A Viola Portuguesa e instrumento de seis cordas dedilhadas, inventado por Francisco Silverio, em Lisboa, nos ultimos anos do seculo XIX.

Francisco Silverio, marceneiro e antiquario lisboeta de renome, criou seis exemplares desta guitarra classica, que apenas diferem dos violoes ou das violas francesas no facto de terem em perfil a forma dos vasos antigos de porcelana de Delft, em vez da forma em 8 classico dos violoes. Esses seis exemplares da Viola Portuguesa tinham em comum o peculiar formato e uma sonoridade excelente, mas eram distintos na ornamentacao, tanto quanto ao desenho como quanto a natureza dos embutidos. Estas composicoes, no estilo Luis XVI (denotando uma impecavel tecnica de marchetaria) eram particularmente requintadas em torno da boca do instrumento (a roseta) e o bordo do tampo.
Tres das Violas Portuguesas


Uma das Violas Portuguesas era distinta das irmas: tinha a mesma forma e tipo de ornamentacao das outras cinco, as mesmas seis cordas, mas tinha maiores dimensoes. De resto, tinha mesmo um espigao para apoio no solo, que serviria para repouso do instrumento.
Uma das Violas era bem maior que as restantes


Em termos de construcao, Francisco Silverio introduziu nos seis instrumentos uma serie de inovacoes tecnicas a que chamou de Sistema Silverio. E mostrou sempre um sentido de marketing apurado, elevando a sua reputacao com Exposicoes publicas das suas obras: estiveram expostas em Lisboa na Casa Alcobia, no Armazem da Musica, na Sociedade de Geografia, na Sociedade Nacional de Belas-Artes e em duas Exposicoes Universais – em Paris (1900) e em St. Louis (1904), tendo arrecadado medalhas em ambas.

Dos seis instrumentos construidos por Francisco Silverio, apenas de um se sabe o paradeiro - a Viola Portuguesa que o artista reteve como seu instrumento pessoal, e actualmente conservada na familia. Esta viola foi submetida a avaliacao pela empresa In Trust Value, a 3 de Agosto de 2012.
A Viola conservada na família do artista


Sabe-se que uma das Violas foi oferecida em 1913 por Francisco Silverio ao Museu Instrumental que estava a ser formado em Lisboa, sob o impulso de Michel'angelo Lambertini, como prova carta de 26 de Julho desse ano. Essa Viola vem pormenorizadamente descrita nas paginas 29, 30 e 31 de Primeiro nucleo de um Museu Instrumental em Lisboa - Catalogo sumario coordenado por Michel'angelo Lambertini, Lisboa, 1914. Esta Viola tera transitado, com o restante espolio, do Palacete Lambertini na Avenida da Liberdade para o Conservatorio Nacional de Lisboa; mas ja nao foi recolhida pelo Museu da Musica, que integra as coleccoes de Alfredo Keil, Michel'angelo Lambertini e Antonio Lamas.

Outras duas Violas estiveram, pelo menos temporariamente, na posse dos dois filhos de Francisco Silverio que tocavam guitarra classica - um deles teria mesmo formacao adquirida no Conservatorio Nacional de Lisboa, como se pode depreender de recorte de publicacao periodica nao identificada nos arquivos do artista: "A viola (...) e um instrumento que se recomenda pela beleza do som, muito superior ao de qualquer outro instrumento do mesmo genero, como tivemos ocasiao de reconhecer ouvindo tocar (...) o Sr. Constantino Silverio, filho do Sr. Francisco Silverio, distinto aluno do Conservatorio e professor de viola, que numa das salas da nossa redaccao teve a amabilidade de executar varios trechos musicais, tais como o Carnaval de Veneza e o Convite a Valsa de Weber."

Das outras Violas, nao ha registos e nada se sabe. Apenas que se encontrou nos arquivos de Francisco Silverio de um bilhete de rifa impresso, por numerar, relativo a "Rifa de uma Viola Portuguesa com embutidos de marfim e tartaruga": tera outra das Violas sido rifada pelo seu autor?